ATIVIDADE DE LEITURA NA EDUCAÇÃO ESPECIAL: USO DA  BIBLIOTECA ESCOLAR E BRINQUEDOTECA

Fernanda Domingues

Grasieti Flores Alves

Jaqueline Alves

Araci Isaltina de Andrade Hillesheim

Gleisy Regina Bories Fachin


Resumo: Este artigo trata sobre a prática de leitura para pessoas portadoras de necessidades especiais desenvolvido na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Florianópolis (APAE/Florianópolis), através de projeto de extensão do Departamento de Ciência da Informação (CIN), com o apoio do Departamento de Apoio à Extensão (DAEx), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Destacam-se as várias atividades desenvolvidas junto aos alunos da APAE/Florianópolis, ressaltando a importância da leitura e da biblioteca escolar no processo de desenvolvimento de portadores de necessidades especiais.
Palavras-chave: Leitura – Portadores de Necessidades Especiais; Atividades de leitura; Biblioteca escolar; Biblioteca especial; Educação Especial.

1 INTRODUÇÃO

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Florianópolis/SC (APAE/ Florianópolis), constitui-se juridicamente como entidade filantrópica, sem fins lucrativos. Está há 40 anos atendendo pessoas portadoras de necessidades especiais, sem limite de idade, e tem como princípio a habilitação e reabilitação destas no município de Florianópolis. Seu objetivo é oferecer oportunidades às pessoas portadoras de necessidades especiais para desenvolver suas capacidades e potencialidades, buscando promover  seu desenvolvimento integral.

Possui uma equipe técnica formada por professores, auxiliares de sala, coordenadores pedagógicos, fisioterapeutas, educação física, auxiliares de enfermagem e administrativos. Conta também com o apoio de voluntários, com a Fundação  Catarinense de Educação Especial e com a Prefeitura Municipal de Florianópolis.

Além das parcerias e profissionais,  conta, também, com outros recursos, quais sejam: a Biblioteca /Brinquedoteca Monteiro Lobato, que atende aos alunos e a equipe profissional, formada por professores, técnicos, pessoal administrativo e de apoio e, os pais dos portadores de necessidades especiais.. A biblioteca disponibiliza material especializado sobre o tema Educação Especial, brinquedos pedagógicos, livros infantis e de literatura, recursos audiovisuais, reálias, instrumentos musicais e tantos outros, a fim de estimular experiências reais e proveitosas desenvolvendo e estimulando a linguagem expressiva e compreensiva do aluno.

A biblioteca/brinquedoteca começou a ser organizada em 2002, por meio de projeto de extensão, uma parceria realizada entre a APAE/Florianópolis, Departamento de Ciência da Informação (CIN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Departamento de Apoio à Extensão (DAEX) da UFSC, envolvendo a organização do material bibliográfico, planejamento, aquisição e disponibilização do material da Biblioteca /Brinquedoteca Monteiro Lobato aos seus usuários.

Com o desenvolvimento do referido projeto organizando a biblioteca /brinquedoteca, sentiu-se, em 2003, a necessidade de se desenvolver atividades diretas com os professores e alunos da escola. Surge assim o projeto “Atividades de leitura para portadores de necessidades especiais – APAE/Florianópolis”.  É importante destacar que o projeto só tem tido êxito e vem sendo desenvolvido até a presente data, por estar recebendo a colaboração direta de alunos bolsistas do Curso de Biblioteconomia da UFSC, concedidos através de bolsa de extensão pagas pelo DAEX/UFSC e do trabalho dos  professores do CIN/UFSC.

O projeto de leitura tem por objetivo geral “desenvolver atividades de leitura para estimulação dos portadores de necessidades especiais”. Apresenta como objetivos específicos:

a) Obter informações sobre as atividades desenvolvidas quanto à promoção da leitura nas escolas pelas bibliotecas escolares, nesse caso especial;
b) Realizar a hora do conto nas turmas de alunos com necessidades especiais, envolvendo atividades pedagógicas junto aos professores;
c) Demonstrar aos professores e demais profissionais os serviços de uma biblioteca escolar, voltada à Educação Especial, para portadores de necessidades especiais;
d) Proporcionar aos participantes do projeto (alunos, professores e bibliotecários da escola, juntamente com os alunos e professores do Curso de Biblioteconomia da UFSC) a oportunidade de desenvolver experiências referentes à leitura para pessoas portadoras de necessidades especiais através de atividades pedagógicas, integrando teoria e prática;
e) Demonstrar o papel da biblioteca e, por conseguinte, do profissional bibliotecário, junto às instituições de educação especial;
f) Diversificar os meios de leitura, utilizando jogos, sucatas e dramatização, visando  conscientizar os profissionais que atuam junto às pessoas portadoras de necessidades especiais do seu papel no desenvolvimento e estimulação da linguagem expressiva e compreensiva dos portadores de necessidades especiais.
Este artigo relata as atividades desenvolvidas durante o projeto, com o objetivo de prestar contribuição ao incentivo à leitura, ao desenvolvimento e inclusão social dos portadores de necessidades especiais e à consolidação das bibliotecas e brinquedotecas voltadas à Educação Especial. Serão apontados: a metodologia adotada, as várias atividades junto aos alunos e os resultados alcançados na comunidade escolar.
 

2 ATIVIDADES DE LEITURA

Em relação à leitura para portadores de necessidades especiais, Silva e Fachin (2002, p. 154) afirmam que
verifica-se que a leitura para alunos portadores de deficiência com necessidades especiais favorece aos alunos um maior desenvolvimento crítico e intelectual, bem como estimula o seu imaginário, permitindo que algumas barreiras e conceitos sobre a pessoa portadora de deficiência com necessidades especiais sejam quebradas.


Esta citação reforça a importância do referido projeto para os alunos da APAE de Florianópolis que, por possuírem necessidades especiais, precisam de atendimentos específicos, planejados e direcionados a cada turma que podem ser exploradas através da leitura.

A atividade de leitura para portadores de necessidades especiais apresenta-se como um espaço novo no contexto de Biblioteca Escolar, salientando que tal atividade requer dedicação, entusiasmo e constante atualização para trabalhar os variados recursos pertinentes à exploração da ludicidade, do brincar aprendendo, do desenvolver potencialidades escondidas (SILVA; FACHIN, 2002).

Desta forma, antes de iniciar as atividades de leitura, foi dedicado algum tempo para a  interação do bolsista com a Instituição e, acima de tudo, o contato com os alunos. Isto requer paciência, persistência, dinamismo, disposição e muita vontade de trabalhar com os alunos.

As atividades de leitura tiveram, em seu contexto, a integração com o trabalho realizado pelos professores em sala de aula e a utilização de recursos da biblioteca e brinquedoteca. As estagiárias ficaram responsáveis pelo atendimento das turmas, com dias previamente agendados.
Inicialmente as bolsistas conheceram as turmas que seriam atendidas com as atividades do projeto. No decorrer das atividades ia sendo verificado junto aos professores e auxiliares de sala qual assunto seria possível trabalhar com os alunos.

É importante ressaltar que todas as atividades foram planejadas em conjunto com os professores e de acordo com suas necessidades de trabalho junto aos alunos de cada turma. Vale destacar que cada aluno, em especial, tem uma maneira de ser estimulado e isto foi valorizado na medida em que se interagia com eles. Nesta etapa, para que ocorresse a interação, foi necessário que o bolsista buscasse o contato, se mostrasse aos alunos, se deixasse tocar, pegar, sentar-se no chão.

Após algum tempo, buscou-se livros infantis, de literatura, brinquedos pedagógicos e  CD’s que melhor se identificassem   com cada turma. A resposta é individualizada por parte de cada aluno, é uma conquista diária e muito particular de cada indivíduo mas, quando conquistada, representa vitória.

A prática de leitura dentro da brinquedoteca, devido aos estímulos atribuídos à variedade de brinquedos e cores, dispersava os alunos e, portanto, faz-se necessário enfatizar a importância de se utilizar, também, outros espaços para esta atividade. Porém, uma maneira adotada para resolver este impacto foi o de conciliar um tempo para a leitura e, depois, um tempo para o uso dos jogos e brinquedos. O resultado foi considerado satisfatório.

Com isto, comprova-se a eficácia de um contato inicial com a turma, para que ambos se conheçam e as bolsistas da biblioteca reconheçam as formas de despertar a atenção  de cada aluno, tornando essa medida fundamental para o progresso das atividades.

Salienta-se que é preciso estar integrado no contexto escolar para que ocorra a troca de informações entre os profissionais para obtenção de resultados satisfatórios nas atividades realizadas. Uma forma recomendável seria a integração dos bolsistas nas reuniões de planejamento das turmas na qual seria possível melhor conhecimento a respeito dos alunos e dos trabalhos desenvolvidos em sala, criando expectativas e proporcionando melhoria das atividades de leitura.

Assim, as atividades desenvolvidas na APAE/Florianópolis abrangeram muitos aspectos positivos, entre eles, dois que se considera de maior relevância: a percepção da alegria dos alunos ao serem recebidos no ambiente da biblioteca/brinquedoteca e o interesse e a participação deles nas atividades desenvolvidas.

Destaca-se o acervo adquirido através do Projeto (PRO/EXT/SESU/2003) com livros didáticos, especializados e, principalmente, os infantis com figuras e estórias de qualidade, bastante utilizados na prática de leitura com as turmas.

Deste modo, é de suma importância nas atividades de incentivo de leitura, seja para portadores de necessidades especiais, seja para alunos do ensino fundamental, o uso de material de qualidade e diversificado, em ambiente adequado como as bibliotecas escolares e as brinquedotecas, além de contar com o profissional bibliotecário, detentor do conhecimento biblioteconômico.

Muitos resultados têm comprovado a importância dos projetos desenvolvidos até o momento, incentivando-nos a continuar, conforme destacado a seguir.
 

2.1 Alguns fatos e algumas atividades do projeto


Surgiram várias experiências significativas que confirmam o valor de atividades voltadas às bibliotecas e brinquedotecas para Educação Especial, conforme se relata abaixo:
 

a)  A abrangência do atendimento desde a educação infantil até os adultos (03 a 62 anos);
b) Todas as atividades desenvolvidas são previamente selecionadas pelas estagiárias da Biblioteca/ Brinquedoteca Monteiro Lobato, de acordo com o assunto que cada turma está trabalhando em sala de aula;
c) Após a contagem de histórias, foram aplicadas outras técnicas, procurando pelo estimular  alunos, como: piscina de bolinha, fantoches, dedoches, dinâmica de grupo, colagem, recorte, dramatização e interpretação das histórias. Logo em seguida, são feitos questionamentos juntamente com os professores, de acordo com o tema abordado por cada turma;
d) São feitos questionamentos como: O que? Como? Quando? Onde? O porquê de cada história? Estes são explorados após as leituras, fazendo com que a história fique clara e armazenada na memória do aluno, quando possível. Com isso se auxilia uma melhor interpretação, assimilação e o desenvolvimento do pensar do aluno;
e) Há também visitas inesperadas de alunos que adentram a biblioteca correndo, são relatadas por professores, auxiliares e demais funcionários da APAE, como a “fuga da sala de aula” para um espaço acolhedor;
f) Inauguração da Biblioteca/Brinquedoteca Monteiro Lobato, em 06 de julho de 2004, juntamente com a comemoração dos 40 anos da APAE/Florianópolis. Dentre as várias atividades, o ponto de maior destaque foi a peça teatral “A Turma do Sítio”, encenada pelos alunos, professores, auxiliares de sala e as estagiárias envolvidas no projeto, numa mistura de teatro e de fantoches da Turma do Sítio do Pica Pau Amarelo, enfatizando a importância da Biblioteca na Instituição. Encerrou-se com a entrada do Monteiro Lobato (caracterizado por uma professora), que falou da importância da leitura e da biblioteca.
g) Ponto de grande destaque na inauguração foi à fala de um aluno em agradecimento pela existência da “... biblioteca e brinquedoteca, onde podemos aprender e brincar...”.
h) Dentro do Projeto de Incentivo à Leitura para Portadores de Necessidades Especiais e também dentro do cronograma da Semana da Criança, realizou-se, com as turmas do Ensino Fundamental, um teatro, uma adaptação de “O Pequeno Príncipe”, onde organizou-se desde a criação do texto, das falas de cada personagem, da caracterização e apresentação, auxílio a cada integrante do teatro, e ajudou-se também aos professores, apoiando no que foi preciso. Além das atividades citadas acima coutou-se, também, com piscina de bolinha, cama elástica, molduras com balões, música e relaxamento;
i) No Mês da Criança (11/10/2004 até 29/10/2004) foram organizadas, juntamente com professores, auxiliares de sala e outros profissionais da Instituição, oficinas, dentre elas: capoeira, música, fantoches, teatro, hora do conto, comunicação alternativa, trabalhos manuais com tecido, pintura, argila, caixas de leite, garrafas, jornais, papéis coloridos, balões e artesanato;
j) Ainda na Semana da Criança, participou-se de um evento em Palhoça (Encontro das APAES), em que o pessoal da APAE de Palhoça e Florianópolis, alunos, professores, juntamente com outros profissionais como recreadores, voluntários e professores de Educação Física reuniram-se na Associação dos Funcionários dos Supermercados Imperatriz. Foi servido um almoço especial para os alunos, com recreação, caça aos animais, onde alguns professores e auxiliares vestiram-se com fantasias de alguns animais como jacaré, aves, coelhos, cachorro e esconderam-se no espaço que a Associação disponibilizava. Como recompensa, os alunos ganhavam balas e chocolates
k) A primeira atividade de leitura com a turma de Educação Infantil (03 a 06 anos), consistiu em se utilizar  uma estória e a partir dela, a piscina de bolinha, fantoches e música de patos, trabalhando as questões de água, animais, frio, calor. Quando aconteceu o segundo encontro, eles já associaram a estória com a Biblioteca/Brinquedoteca e também com as atividades de leitura. Os alunos identificaram as figuras do livro utilizado, juntamente com os animais que estavam na sala (puffs). Não só os alunos, mas os professores também foram mais receptivos, observando a melhoria da atenção dada ao atendimento;
l) Dia da pintura da turma do Apoio Pedagógico: consistia em pintar o rosto de cada aluno com tinta guache. Fez-se um sol, bigode, máscara de coelho, índio, um desenho diferente em cada aluno. A princípio não se identificou nenhuma reação: um sorriso, um olhar, um gesto. Mas, ao final, com todos os rostos pintados, foi entregue um espelho para cada aluno poder ver seu rosto já pintado. O resultado foi surpreendente. Uma aluna soltou uma gargalhada contagiante,  seguida por inúmeros murmurar de outros alunos;
m) Dia de jogos para a turma ALO JUCA, que é uma turma de autista, já adultos, em que se dividem os trabalhos, pois na maioria das vezes os mesmos têm que ser individuais, isolando um dos outros. É necessário adequar as atividades, pois um não gosta de música, o outro já gosta; um terceiro só trabalha sozinho, sem ninguém ao lado, outro prefere algo palpável e assim por diante. É tratado cada caso isoladamente. Mas percebe-se que os mesmos já identificam a Biblioteca/Brinquedoteca como local de apoio pedagógico e dão valor a cada atividade realizada no seu horário programado para cada semana;

3 RESULTADOS OBTIDOS


Na compilação das atividades desenvolvidas, como os pontos listados no item acima, questionou-se “Porque fazer atividades de leitura para portadores de necessidades especiais?”.

As atividades de leitura para portadores de necessidades especiais são importantes, pois contribuem para estimular as crianças, jovens e adultos, auxiliando em algumas dificuldades de aprendizagem.

Estas atividades proporcionam aos alunos o desenvolver de atitudes mais expressivas e criativas, que são de extrema importância para os alunos, professores, profissionais e também para a família de cada aluno. São respostas às necessidades que cada aluno possui: quanto à linguagem, ao toque, à socialização, à descoberta, ou ainda, de forma muito relevante: uma reação, um sorriso, uma resposta, até mesmo uma agressão, que muitas vezes identificam-se como uma resposta.

Dentro dos conhecimentos adquiridos com o Curso de Biblioteconomia, o de organizar, disponibilizar e atender o usuário, está a riqueza de receber um muito obrigado e vê-lo sair satisfeito e, em alguns casos, até surpreso por conseguir mais do que precisava. Nas atividades com a Educação Especial, o retorno não deixa de ser igual: o agradecimento, o abraço, o chamar o nome, são respostas mais do que gratificantes.

Quebra-se barreiras com relação aos preconceitos da sociedade nessas atividades e também se nota, que apesar dos limites, cada indivíduo em especial é capaz de desenvolver suas potencialidades, bastando para isso ser estimulado.

Assim, a importância do continuar estes projetos voltados à Educação Especial, proporcionando aos alunos de biblioteconomia uma nova experiência e plena socialização, num campo que se afirma, além da inclusão dos portadores de necessidades especiais é, sem dúvida, nosso maior resultado.
 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer do projeto de leitura, percebeu-se a aceitação da biblioteca e das atividades nela realizadas por toda a comunidade da APAE de Florianópolis, pois a procura passou a ser constante e a biblioteca passou a ser um ponto referencial aos alunos, professores, funcionários e pais que buscam recursos literários e lúdico-pedagógicos.

Com o desenvolvimento do projeto, observou-se a importância da biblioteca e do bibliotecário na educação especial, principalmente na colaboração com o planejamento e desenvolvimento das atividades lúdico-pedagógicas executadas para a estimulação dos portadores de necessidades especiais.

Não se pode deixar de mencionar que houve dificuldades, mas com força de vontade e união estas dificuldades foram superadas.

Desta forma, como destacam Fachin; Hillesheim; Mata (2004, p. 58)

é necessário também que as pessoas que trabalham com Educação Especial estejam preparadas e tenham à sua disposição material adequado com ênfase ao seu aspecto educacional para poderem estar informadas e atualizadas. A diversificação das atividades e das expectativas permite a pessoa portadora de necessidades especiais trabalhar dentro de suas possibilidades, de acordo com os seus objetivos e ao mesmo tempo estimulando a troca de experiências e de realizações, tornando-os pessoas mais felizes.
As pessoas portadoras de necessidades especiais, em muitos casos, têm uma capacidade maior de resposta do que o esperado, surpreendendo os profissionais que trabalham com elas pela sua dedicação, interesse e seu desenvolvimento cognitivo. Com atividades de leitura é possível extrair dos alunos sentimentos reprimidos, apaziguar emoções e colocar o portador de necessidades especiais em contato com o mundo dos livros, dos sonhos, do imaginário e, também, ter uma maior interação com o meio em que vive.

Ler para os alunos portadores de deficiência com necessidades especiais tornou-se uma atividade prazerosa, uma vez que o interesse pela leitura por parte dos alunos foi crescendo, tornando-se um hábito. Assim, espera-se ter contribuído para o crescimento e desenvolvimento das pessoas portadoras de necessidades especiais, e espera-se também que as mesmas tenham uma vida mais feliz e possam ser aceitas e integradas realmente na sociedade.

Foi possível proporcionar aos participantes do projeto (alunos, professores da escola, juntamente com os alunos e professores do Curso de Biblioteconomia da UFSC) a oportunidade de desenvolver experiências referentes à leitura para pessoas portadoras de necessidades especiais através de atividades pedagógicas, integrando teoria e prática.

Esta atividade representa, para os acadêmicos do curso de Biblioteconomia, a abertura de um campo de trabalho ainda não explorado pelos bibliotecários e, também, esquecido pela sociedade, qual seja, a biblioteca escolar e, de modo especial, a biblioteca escolar direcionada aos portadores de necessidades especiais. O descaso com a educação acompanha o processo de inserção dos portadores de necessidades especiais na sociedade.

Destaca-se, também, a necessidade de contratação de profissionais bibliotecários, nas várias instâncias governamentais, pois, no caso da APAE/Florianópolis, não existe este profissional contratado, sendo suprida tal falta de forma voluntária, por profissionais da área, professores e os próprios acadêmicos.
 

REFERÊNCIAS


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BORBA, Mátria do Socorro de Azevedo. Adolescência e leitura: a contribuição da escola e da biblioteca escolar. In. AMARILHA, Marly (Org.). Educação e leitura. Natal: Ed. da UFRN, 2000. 295 p. p. 79-116.
DONADON, Daniela Rodrigues; COSTA, Maria da Piedade Resende da. Níveis de desenvolvimento da escrita de crianças surdas. In: MARQUEZINE, Maria Cristina; ALMEIDA, Maria Amélia; TANAKA, Eliza Dieko O. (Org.). Leitura, escrita e comunicação no contexto da educação especial. Londrina: Eduel, 2003.172 p. p. 29-50.
FACHIN, Gleisy Regina Bories; HILLESHEIM, Araci Isaltina de Andrade; MATA, Maria Margarete Sell da. Atuação do bibliotecário na educação especial. Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. 18, p. 58-71, 2o sem. 2004.
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL “PROFESSOR MANOEL BOAVENTURA FEIJÓ” Projeto Político-Pedagógico. Florianópolis: [s.n.], 2004, 53p.
SILVA,  Gláucia Maindra da [et. al]. Atividades de leitura para portadores de necessidades especiais: Apae/Florianópolis. Florianópolis, 2003. (Relatório de projeto de extensão)
SILVA, Maria Emília da; FACHIN, Gleisy Regina Bóries. Leitura para portadores de deficiência com necessidades especiais: relato de uma experiência. Revista ACB, Florianópolis, v. 7, n. 1/2, 2002. p. 148-156
SOUZA, Maria Salete D. de. A conquista do jovem leitor: uma proposta alternativa. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1993.

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READING ACTIVITIES IN SPECIAL LIBRARIES: SCHOOL LIBRARY USE AND TOY LIBRARY

Abstract: This article treat above activities of reading for special carriers of necessities developed in the Associacion of Parents and Friends of the Exceptional from Florianópolis (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE - Florianópolis), through of project of the extension from the Information Science Department (CIN),  with the support  of  the Support Extension Department (DAEX) the Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).  Exhibit some activities developed together of the students from the APAE/Florianópolis, emphasizing the importance of the reading at the school library and  development reading activities for special carriers of necessities.
Keywords: Reading - special carriers of necessities; Reading activities; School library; Special library; Special Education.
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Fernanda Domingues

Acadêmica do Curso de Biblioteconomia da UFSC
E-mail: fdomingues@grad.ufsc.br
 

Grasieti Flores Alves

Acadêmica do Curso de Biblioteconomia da UFSC
E-mail: grasieti@ibest.com.br
 

Jaqueline Alves

Acadêmica do Curso de Biblioteconomia da UFSC
E-mail: jacqueline@lmp.ufsc.br
 

Araci Isaltina de Andrade Hillesheim

Mestre em Educação
Professora do Departamento de Ciência da Informação - Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis - SC - Brasil
E-mail: araci@cin.ufsc.br
 

Gleisy Regina Bories Fachin

Mestre em Engenharia da Produção
Professora do Departamento de Ciência da Informação - Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis - SC - Brasil
E-mail: gleisy@cin.ufsc.br

Artigo recebido em: 05/08/2005
Aceito para publicação em: 19/12/2005

Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.11, n.1, p. 221-232, jan./jul., 2006.

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Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis (Brasil) - ISSN 1414-0594

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